A Reforma Tributária já é uma realidade e começa a entrar em vigor, gradativamente, a partir de 2026, com mudanças efetivas previstas para a partir de 2027. Para o setor de transporte de cargas — um dos pilares da economia brasileira os impactos serão profundos e exigem atenção desde já.
Este conteúdo foi preparado para ajudar você, empresário ou gestor do setor, a entender o que está por vir e como se preparar estrategicamente para atravessar esse período de transição com segurança e eficiência.
O que muda com a Reforma Tributária?
A principal mudança é a substituição de diversos tributos por dois novos impostos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – substitui PIS e Cofins (federal).
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – substitui ICMS e ISS (estadual e municipal).
Ambos seguem o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), com apuração não cumulativa e maior transparência. Isso significa que os impostos serão cobrados sobre o valor agregado em cada etapa da operação, com direito a crédito tributário sobre insumos e serviços contratados.
Impactos diretos no setor de transporte
- Aumento da carga tributária
A alíquota combinada atual gira em torno de 19,5%. Com a reforma, pode chegar, dependendo do tipo de operação, a até 28,6% para quem não se preparar para deduzir créditos tributários desse percentual. Isso afeta diretamente o custo do frete, insumos logísticos e serviços essenciais como manutenção e combustível.
Nota: Em razão do crédito pleno e das margens de lucro reduzidas na atividade de transporte, a priori, a carga tributária tende a ser menor.
Portanto, entende-se que não é possível afirmar que a carga tributária será maior após a reforma, já que essa análise se refere apenas à alíquota.
Fim da cumulatividade e do “efeito cascata”
A não cumulatividade promete mais justiça fiscal, mas exige revisão completa dos processos contábeis e sistemas de gestão.
- Tributação no destino
O IBS e a CBS serão cobrados no local de consumo. No caso do serviço de transporte de cargas, considera-se como local da prestação o local da entrega ou da disponibilização do bem ao destinatário indicado no documento fiscal.
Nota: O descolamento em si, não altera a carga tributária da empresa. Entretanto, esse formato modifica o fluxo de caixa de empresas que transportam cargas, já que o imposto é deduzido no ato e não mais posteriormente.
- Crédito tributário sobre serviços terceirizados
Com o novo modelo, empresas poderão aproveitar créditos mesmo quando o transporte for feito por terceiros. Isso pode tornar a terceirização mais vantajosa do ponto de vista fiscal.
E o Simples Nacional?
Empresas do Simples Nacional continuarão existindo, mas com impactos indiretos importantes:
- Não geram crédito tributário integral para seus clientes, o que pode reduzir a competitividade.
- Podem optar pelo recolhimento do IBS e da CBS fora do Simples Nacional, gerando crédito integral para os clientes e, assim, mantendo sua carteira B2B.
- Assim sendo, fica claro que a transição exige planejamento tributário e financeiro
Como se preparar para 2026?
O ano de 2026 será marcado pela fase de adequação, com alíquotas de teste e convivência entre os sistemas antigos e novos. É o momento ideal para:
- Atualizar sistemas de gestão (ERP) para lidar com a nova estrutura tributária.
- Mapear fornecedores e clientes para entender os impactos na cadeia.
- Simular cenários de precificação com base nas novas alíquotas.
- Capacitar a equipe contábil, tributária e financeira para lidar com a nova lógica de apuração.
Nota: Não há necessidade de incluir no contrato as regras de crédito. As regras de pagamento somente devem constar do contrato quando o pagamento for realizado pelo tomador.
A importância da consultoria tributária e de gestão
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de impostos — é uma reorganização estrutural que afeta planejamento, operação e estratégia. Contar com uma consultoria especializada pode fazer toda a diferença para:
- Identificar oportunidades de crédito tributário.
- Reduzir riscos de autuação e multas.
- Garantir conformidade fiscal.
- Otimizar a estrutura de custos e manter a competitividade.
Conclusão
A Reforma Tributária representa um desafio, mas também uma oportunidade para empresas do setor de logística e transporte de cargas. Quem se preparar com antecedência poderá transformar essa etapa em vantagem competitiva.
Se você ainda não começou a planejar, o momento é agora. Converse com seu consultor jurídico, seu contador e revise seus processos, sua precificação e seu fluxo de caixa. E conte com o suporte do time da Shamah Seguros para operar com segurança e sustentabilidade financeira nessa nova fase do sistema tributário brasileiro.Para a produção deste conteúdo, contamos com parceiros de confiança, como a Contabilidade Almazi e a Dra. Requel Jesus, que fortalecem ainda mais nossa rede de apoio para que sua empresa tome as melhores decisões com tranquilidade e foco no desenvolvimento operacional do negócio.





